{"id":2180,"date":"2021-07-26T08:29:58","date_gmt":"2021-07-26T08:29:58","guid":{"rendered":"https:\/\/colegiokoelle.com.br\/blog\/ana-aragao-fala-sobre-saude-mental\/"},"modified":"2021-07-26T08:29:58","modified_gmt":"2021-07-26T08:29:58","slug":"ana-aragao-fala-sobre-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/colegiokoelle.com.br\/blog\/artigos\/ana-aragao-fala-sobre-saude-mental\/","title":{"rendered":"Professora Ana Arag\u00e3o fala sobre Sa\u00fade Mental"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nesta edi\u00e7\u00e3o, especialmente voltada para a sa\u00fade mental, o Kara do Koelle entrevistou a professora Ana Arag\u00e3o. Psic\u00f3loga formada h\u00e1 39 anos pela PUC-Campinas, mestre e doutora em educa\u00e7\u00e3o pela Unicamp, Ana lecionou na PUC-Campinas durante 14 anos e, desde o ano 2000, \u00e9 professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Unicamp.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto voc\u00ea acha que a pandemia est\u00e1 afetando o desenvolvimento psicossocial dos jovens? Quais s\u00e3o os principais impactos que voc\u00ea acredita que aconteceram?&nbsp;<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Prof\u00aa. Ana: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que est\u00e1 afetando completamente. Os alunos, por exemplo, que mudaram de escola no Ensino M\u00e9dio no come\u00e7o do ano passado n\u00e3o tiveram a oportunidade de conhecer ningu\u00e9m, de se relacionar presencialmente com ningu\u00e9m. A pandemia, especialmente com o isolamento social, acabou afetando as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, que \u00e9 o que existe de mais importante na escola. A gente aprende a conviver, aprende a se relacionar, aprende a perder, aprende a ganhar. Ent\u00e3o acho que a pandemia trouxe problemas graves. Al\u00e9m disso, para a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, a pandemia trouxe um problema grav\u00edssimo que \u00e9 n\u00e3o permitir que as pessoas tenham acesso ao ensino da mesma maneira que a gente.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ana, n\u00f3s quer\u00edamos saber o que voc\u00ea acha que o stress causou nas rela\u00e7\u00f5es familiares, ou em qualquer outro tipo de rela\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Prof\u00aa. Ana: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Uma coisa que eu acho importante colocar em discuss\u00e3o \u00e9 o que significa, na verdade, a sa\u00fade mental. A sa\u00fade mental \u00e9 um estado de completo bem-estar f\u00edsico, mental e social e n\u00e3o \u00e9 somente a aus\u00eancia de doen\u00e7as. A\u00ed a gente olha e diz: n\u00f3s podemos dizer que n\u00f3s temos sa\u00fade mental? O completo bem-estar f\u00edsico, psicol\u00f3gico e social? Acho que ningu\u00e9m. Ent\u00e3o, uma das dimens\u00f5es que o stress causou no ambiente da pandemia foi potencializar as dificuldades. As fam\u00edlias que viviam bem, que tinham uma rela\u00e7\u00e3o bacana, dialogada, de conversa, que tinham uma vida social ajustada, no sentido de que todos t\u00eam possibilidade de conversar sobre o que est\u00e1 acontecendo, tiveram mais chance de se manter desse jeito. As fam\u00edlias, entretanto, que n\u00e3o a tinham, tiveram muito mais problemas. Um dado importante \u00e9 que em abril do ano passado houve um aumento de 9 mil por cento na busca no Google pela palavra div\u00f3rcio. Essa busca pela palavra revela uma rela\u00e7\u00e3o comprometida, em crise, que j\u00e1 \u00e9 naturalmente dif\u00edcil e fica ainda mais agora, com as dificuldades potencializadas. Quando voc\u00eas perguntam sobre as rela\u00e7\u00f5es de um modo geral, na escola isso tamb\u00e9m aconteceu. Eu, por exemplo, que sou professora, ano passado, com a entrada do ensino remoto, tomei um susto, porque eu nunca tinha dado aula pelo computador. Em uma situa\u00e7\u00e3o como essa, principalmente na pandemia, em que a gente deixou de ter possibilidade de fazer planejamento sobre a nossa vida, algo que n\u00f3s diz\u00edamos: semana que vem eu fa\u00e7o, ano que vem eu vou viajar para tal lugar, a gente deixou de ter esse tipo de controle tamb\u00e9m. Ent\u00e3o \u00e9 um stress, na verdade, que pegou de surpresa todo mundo. Outra informa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a taxa de suic\u00eddio cresceu muito entre alunos, principalmente de Ensino M\u00e9dio, segundo a UNICEF, em outubro do ano passado; 25% dos estudantes do mundo desenvolveram depress\u00e3o. Depress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma bobagem, a gente precisa cuidar muito bem disso. A pessoa que tem caracter\u00edsticas depressivas precisa de uma ajuda org\u00e2nica de um m\u00e9dico que d\u00ea para ela alguns componentes org\u00e2nicos que est\u00e3o faltando, mas ela tamb\u00e9m precisa de ajuda psicol\u00f3gica, para saber o que ela faz com tudo isso. Eu, ent\u00e3o, tive muito pouca capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, algo que nunca tinha acontecido antes, a\u00ed eu olho e falo: o que \u00e9 isso que t\u00e1 acontecendo? Serei eu o ET? Terei eu ficado menos inteligente nesse per\u00edodo? Por que ser\u00e1 que eu n\u00e3o consigo me concentrar? Eu acho que \u00e9 um pouco do que todo mundo tem sentido.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea acha tamb\u00e9m que o distanciamento social nesse per\u00edodo afetou muitas amizades?<\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Prof\u00aa. Ana: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Sem d\u00favida, eu sou uma pessoa muito social, adoro receber pessoas na minha casa e nada disso pode mais acontecer. \u00c9 claro que a gente acaba mantendo contato com algumas pessoas, mas aquela rela\u00e7\u00e3o que a gente estabelece com todo mundo acabou n\u00e3o acontecendo mais, e isso nos afeta, principalmente quando a gente gosta desse tipo de coisa. Eu adorava a aula presencial n\u00e3o s\u00f3 por causa das aulas, mas porque eu sa\u00eda da sala e podia tomar um caf\u00e9 na cantina e encontrar alunos, professores e funcion\u00e1rios.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea acredita que futuramente as pessoas ter\u00e3o sequelas emocionais devido \u00e0 pandemia? Quais ser\u00e3o essas sequelas?&nbsp;<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Prof\u00aa. Ana: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que sim, precisamos aprender a lidar com a falta das pessoas. Uma coisa por exemplo que a gente fala bastante \u00e9: todo mundo vai voltar e ser uma pessoa melhor, depois da pandemia todos seremos pessoas melhores. Eu n\u00e3o acredito nisso porque eu sou hoje uma pessoa muito mais triste do que eu era no ano passado. Entretanto, estou aprendendo a ter menos gente por perto, a dar valor ao que chamamos na psicologia de pequenos nadas. \u201cPequenos nadas\u201d s\u00e3o quando voc\u00ea recebe um WhatsApp de algu\u00e9m que voc\u00ea n\u00e3o estava esperando e ele pergunta: &#8211; E voc\u00ea, t\u00e1 tudo bem? Ou: &#8211; Olha aqui a fotografia da minha cachorra, olha, agora eu tenho uma cachorra! Olha os meus netos, olha os meu filhos! S\u00e3o pequenos nadas que na verdade nos ajudam a enfrentar as dificuldades da vida. Isso \u00e9 fundamental. A gente diz na psicologia que \u00e9 preciso fazer reabastecimento emocional, ent\u00e3o vamos pensar aqui num exemplo: existe uma nave espacial e eu sou um astronauta dentro da nave. Parei num determinado planeta e vou descer para conhecer esse planeta. O tempo que eu posso ficar fora da nave depende do cilindro de oxig\u00eanio que eu tenho atr\u00e1s, do tamanho dele, do tanto que ele dura, ou de uma mangueira que \u00e9 ligada \u00e0 nave espacial, posso fazer algumas incurs\u00f5es por esse planeta desconhecido. De qualquer forma, quando o oxig\u00eanio estiver acabando, eu preciso voltar para a nave espacial para me reabastecer. Ou reabastecer o cilindro ou aumentar o tamanho da mangueira&#8230; Com a gente, do ponto de vista emocional, \u00e9 mais ou menos isso. Pequenos nadas s\u00e3o reabastecimentos emocionais que a gente faz. Sabe aquela situa\u00e7\u00e3o em que voc\u00ea liga pra algu\u00e9m que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea h\u00e1 muito tempo e diz: &#8211; Oi, t\u00e1 tudo bem? E ela diz: &#8211; T\u00e1, e voc\u00ea? E o que \u00e9 que voc\u00ea queria?, ela pergunta. N\u00e3o, eu n\u00e3o queria nada, s\u00f3 liguei por nada. Quando a gente liga pra m\u00e3e, pro pai, que est\u00e3o viajando, que moram fora, o av\u00f4, a av\u00f3, a gente faz reabastecimento emocional. \u00c9 como se tiv\u00e9ssemos um tanquinho de afeto dentro de n\u00f3s e que precis\u00e1ssemos o tempo inteiro estar considerando. Ent\u00e3o, eu preciso do bom dia para poder ter um dia bom, esses s\u00e3o os pequenos nadas, s\u00e3o os reabastecimentos emocionais. E a\u00ed acho que, por voc\u00eas estarem no col\u00e9gio, h\u00e1 uma dimens\u00e3o muito importante para a gente falar. Temos que aprender, mesmo na pandemia, a atuar no coletivo, \u00e9 como quando a gente olha e diz: &#8211; Parece que o fulano anda meio triste, quem \u00e9 que tem mais contato com ele? Vamos tentar descobrir se coletivamente podemos ajudar, fazer alguma coisa? A gente precisa ter algumas estrat\u00e9gias de enfrentamento, de chegar perto, mas n\u00e3o pode deixar de lado, n\u00e3o pode mesmo.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\">E voc\u00ea acha que o reabastecimento das emo\u00e7\u00f5es pode acontecer realmente durante o isolamento?<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Prof\u00aa. Ana: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Acho. Acho que \u00e9 como se a gente tivesse colocado outro tipo de combust\u00edvel. Existem duas palavras nessa pandemia que eu tenho uma implic\u00e2ncia que s\u00e3o: Novo Normal, n\u00e3o tem novo normal, n\u00e3o existe novo normal, a gente nunca vai viver isso de novo, e a\u00ed eu preciso dizer que eu nunca fui normal. E reinventar, n\u00f3s n\u00e3o temos que reinventar nada, temos que nos adaptar a novas formas de viver. Eu duvido que a gente chegue, todos vacinados, e falemos: &#8211; Vamos fazer uma festa de confraterniza\u00e7\u00e3o. As pessoas v\u00e3o ter coragem de se abra\u00e7ar do jeito que a gente fazia? Esse reabastecimento pode ser feito por telefonemas, por WhatsApp, por colocar alguma coisa nas redes sociais para algu\u00e9m. Eu vi recentemente um v\u00eddeo de um senhorzinho espanhol cuja mulher est\u00e1 internada numa cl\u00ednica com Alzheimer, e todos os dias, desde que ela est\u00e1 internada, ele vai visit\u00e1-la, e na \u00e9poca da pandemia, ele n\u00e3o podia. Ent\u00e3o, ele combinou com a cl\u00ednica que ele ficaria sentado numa cadeirinha do lado de fora da janela, e todos os dias, chova ou fa\u00e7a sol, ele vai l\u00e1 no mesmo hor\u00e1rio conversar com ela. Isso n\u00e3o \u00e9 um jeito de reinventar a rela\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 um jeito de ajustar as possibilidades. A gente precisa criar novas estrat\u00e9gias para que n\u00e3o nos afastemos das pessoas, precisamos desse contato para n\u00e3o enlouquecermos, para n\u00e3o nos deprimirmos. N\u00e3o achamos que a vida n\u00e3o tem mais gra\u00e7a, porque tem. A vida \u00e9 bela.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea acha que as pessoas descobriram novos hobbies durante a pandemia? Novas coisas que elas gostam de fazer, e isso as deixa mais felizes?&nbsp;<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Prof\u00aa. Ana: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Acho que sim, as pessoas foram atr\u00e1s de coisas que gostam de fazer. Eu, por exemplo, aprendi a cozinhar, o meu marido foi atr\u00e1s de plantar florzinhas no nosso jardim. Eu at\u00e9 contei em uma cr\u00f4nica que ele botava os vasinhos um do lado do outro, como se as plantinhas estivessem prontas para apostar uma corrida. Outro dia ele colocava todas elas num c\u00edrculo, como se estivessem conversando.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\">Que medidas voc\u00ea acha que a gente pode tomar ou como a gente pode lidar com esses sentimentos que a pandemia traz? Em benef\u00edcio da nossa sa\u00fade mental.<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Prof\u00aa. Ana: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Em rela\u00e7\u00e3o aos sentimentos, existem algumas coisas que a gente pode cuidar. A primeira coisa, em qualquer faixa et\u00e1ria, \u00e9 aprender a nomear os nossos sentimentos, dizer o que a gente est\u00e1 sentindo, parar para pensar: por que eu estou com tanta raiva? O que est\u00e1 acontecendo? Ent\u00e3o acho que em primeiro lugar a gente precisa aprender a nomear aquilo que estamos sentindo, dizer pra algu\u00e9m o que pode ser o foco do nosso sentimento\u2026 Eu fiquei triste por voc\u00ea ter falado assim comigo, ou eu fiquei t\u00e3o feliz por voc\u00ea ter me dito isso, ou eu fiquei preocupado, fiquei com raiva. Ent\u00e3o, \u00e9 importante primeiro identificar, depois dizer sobre esse sentimento. Em terceiro lugar, a gente conversar. Vamos pensar que s\u00e3o sentimentos que a gente tem em rela\u00e7\u00e3o a outra pessoa, e dizer: &#8211; Como \u00e9 que a gente pode resolver isso? O que \u00e9 que a gente faz com essa informa\u00e7\u00e3o? Como \u00e9 que eu posso fazer para que voc\u00ea n\u00e3o me trate desse jeito de novo? O que eu posso fazer pra que voc\u00ea n\u00e3o despeje em cima de mim a sua raiva? Porque uma coisa que a gente faz com muita facilidade \u00e9 terceirizar, transferir a responsabilidade de um sentimento. \u00c9 dizer: eu era uma pessoa normal, tava tudo bem comigo, a\u00ed voc\u00ea chegou falando aquilo, eu me desequilibrei, eu fiquei com raiva. N\u00e3o, a pessoa falou, mas quem ficou com raiva, quem se desequilibrou foi voc\u00ea, no m\u00e1ximo ela disse de uma forma que voc\u00ea n\u00e3o gostou. S\u00e3o considera\u00e7\u00f5es importantes que a gente precisa ter em rela\u00e7\u00e3o a dizer: &#8211; Voc\u00ea n\u00e3o tem culpa de eu estar desse jeito, eu fiquei assim porque voc\u00ea disse uma coisa que eu n\u00e3o gostei, mas eu \u00e9 que tenho que aprender a lidar com isso. O Amyr Klink conta num dos seus livros que em uma das viagens que fez sozinho ele foi remar o bote e um dos remos caiu na \u00e1gua. Pegou ent\u00e3o esse remo com o outro e os dois ca\u00edram na \u00e1gua. E ele comenta: infelizmente eu n\u00e3o podia colocar a culpa em ningu\u00e9m, ningu\u00e9m podia ser respons\u00e1vel por eu ter derrubado os remos na \u00e1gua, a responsabilidade era s\u00f3 minha. Essa \u00e9 uma dimens\u00e3o muito importante: qual a parte que me cabe no latif\u00fandio das emo\u00e7\u00f5es?<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\">Seguindo a pergunta anterior, existe algo direcionado aos jovens que melhore a nossa concentra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria? Visando, por exemplo, \u00e0s aulas remotas que n\u00f3s temos que assistir.<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Prof\u00aa. Ana: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira coisa que a gente precisa pensar nessas aulas remotas \u00e9 que est\u00e1 dif\u00edcil para todo mundo. Est\u00e1 dif\u00edcil para os professores, est\u00e1 dif\u00edcil para o coordenador, est\u00e1 dif\u00edcil para o diretor da escola e est\u00e1 dif\u00edcil para voc\u00eas alunos. Aprender a n\u00e3o achar que quando algu\u00e9m fala de sentimento trata-se de uma bobagem, sobre sentimento \u00e9 important\u00edssimo que a gente fale. Precisamos passar a nossa vida inteira aprendendo a dizer: isso aqui que eu t\u00f4 sentindo \u00e9 raiva, isso que eu t\u00f4 sentindo \u00e9 uma coisa que eu n\u00e3o sei o nome, isso que eu t\u00f4 sentindo \u00e9 melhor ficar longe das outras pessoas porque talvez eu as magoe. Mas eu acho que o mais importante \u00e9 a gente aprender a dizer para as pessoas o que a gente est\u00e1 pensando sobre o que est\u00e1 acontecendo: eu me senti mal porque um aluno tirou sarro da minha cara por causa de tal coisa, vamos conversar para ver se a gente pode chegar a um acordo. Um dos problemas mais s\u00e9rios que existe de relacionamento interpessoal \u00e9 o bullying. No bullying, na verdade, n\u00f3s precisamos lidar com 3 elementos: o autor do bullying, o alvo do bullying e o p\u00fablico. A gente precisa aprender a mostrar indigna\u00e7\u00e3o, mostrar o que est\u00e1 acontecendo na nossa vida, mostrar por que ficamos bravos. Agora, nas aulas remotas, tem uma coisa que eu sempre digo para os meus alunos da universidade: n\u00f3s temos que ver o que \u00e9 que nos motiva para as aulas remotas: \u00e9 o professor passar um filme, \u00e9 o professor fazer uma atividade em grupo, \u00e9 o professor dar uma aula expositiva\u2026 mas, de qualquer forma, o que eu tenho que pensar \u00e9: est\u00e1 todo mundo na mesma situa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente eu dizer: dane-se, porque a aula \u00e9 remota. A gente precisa tamb\u00e9m aprender a olhar do ponto de vista do outro, essa \u00e9 uma perspectiva importante.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea acha que as pessoas passaram a ser mais emp\u00e1ticas umas com as outras, pensar mais no pr\u00f3ximo?&nbsp;<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>Prof\u00aa. Ana: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o, eu acho que \u00e9 o que eu falei sobre as rela\u00e7\u00f5es familiares: as pessoas que tinham empatia ficaram mais emp\u00e1ticas, as pessoas que eram ego\u00edstas ficaram mais ego\u00edstas, mas a escola \u00e9 o lugar onde a gente pode aprender a ser emp\u00e1tico, aprender a ser cooperativo, aprender a ser colaborador. Isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa inata, ningu\u00e9m nasce criativo, inteligente, bacana, colaborador, cooperativo, a gente aprende a ser generoso, a olhar e falar: &#8211; O que \u00e9 que est\u00e1 acontecendo com voc\u00ea que eu posso ajudar? O que voc\u00ea est\u00e1 sofrendo? Se n\u00e3o for na escola, onde \u00e9 que a gente aprende a lidar com as diferen\u00e7as? Na escola, a gente aprende que as diferen\u00e7as s\u00e3o importantes, que aquela pessoa que voc\u00ea achava que n\u00e3o ia conseguir te ajudar nunca na vida te deu uma dica especial\u00edssima sobre a mat\u00e9ria, que a partir dali voc\u00ea foi em frente. Onde, sen\u00e3o na escola, a gente aprende a ser legal, a n\u00e3o ser chato, a algu\u00e9m olhar pra voc\u00ea e dizer: Ana, voc\u00ea est\u00e1 muito chata, ningu\u00e9m t\u00e1 te aguentando, a\u00ed eu vou chegar em casa e falar: Ah! Nossa! Ela disse que eu estou muito chata, eu preciso mudar.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;N\u00e3o deixem de estar perto das pessoas. Reabastecimento emocional \u00e9 algo com o que voc\u00ea tem que se preocupar a vida inteira, n\u00e3o s\u00f3 agora na pandemia. \u00c9 igual voc\u00ea ligar pra uma amiga e falar: &#8211; Oi, tudo bem? &#8211; Tudo, e voc\u00ea? Ai que mentira! Eu sei que voc\u00ea n\u00e3o t\u00e1 bem, tem algu\u00e9m bem? Tem algu\u00e9m bem nesse per\u00edodo? Claro que n\u00e3o. Mas isso n\u00e3o \u00e9 algo para a gente falar: ningu\u00e9m est\u00e1 bem. Ent\u00e3o, se ningu\u00e9m est\u00e1 bem, vamos cuidar das pessoas.&#8221;<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o, especialmente voltada para a sa\u00fade mental, o Kara do Koelle entrevistou a professora Ana Arag\u00e3o. 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